Expectativa
- Claudia Vilas Boas

- há 2 dias
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Como diz o ditado: “Crie jumentos, bodes, galinhas, mas não crie expectativas”.
Criar expectativas nos afasta, em muitos casos, da realidade e do presente.
Nossa expectativa muitas vezes não nos deixa perceber que já recebemos mais do que esperávamos, ou, que já temos mais do precisávamos, e que, talvez, apenas a embalagem esteja em outro formato.
Quando criamos expectativas que dependem de condutas alheias, abrimos uma grande possibilidade de sofrermos uma decepção. Afinal, muitas vezes não conseguimos controlar a nós mesmos, como esperar controlar as atitudes e escolhas de terceiros?
O ideal seria focar nos objetivos e trabalhar ativamente para conquistá-los, mantendo-nos atentos a cada movimento e cada passo alcançado, uma vez que usufruir também do trajeto, aumenta a beleza do destino.
Ter sonhos e projetos é extremamente positivo, mas deixar de viver o presente e aproveitar cada milagre diário, apenas esperando pela vitória no futuro, me parece um grande desperdício.
Outro ponto importante é a expectativa com relação à reciprocidade em nossos círculos afetivos. Tantas vezes desejamos a exata correspondência de atitudes e esquecemos que somos indivíduos, com personalidades únicas e peculiares.
O amor tem muitas formas, ele pode ser demonstrado em palavras ou atitudes, e todas elas são válidas e poderosas.
Recentemente assisti a um vídeo em que um psicólogo relatava uma conversa com um paciente, na qual ele reclamava que nunca ouvira um eu te amo de sua mãe, que ela era fria e não demonstrava esse sentimento. Em um dado momento ele relatou, que uma noite ao chegar da faculdade havia na mesa um prato de escondidinho, sua comida favorita, com um bilhete dizendo: “esquenta no microondas filho, fiz para você. E seguiu com as queixas. Foi então, que o psicólogo fez a seguinte pergunta: Quantas vezes sua mãe disse eu te amo e você não ouviu? Tinha um eu te amo na mesa e você não percebeu. O jovem, de repente entendeu e chorou, pois a vida toda esperou ouvir um eu te amo em um idioma que a mãe não conseguia expressar, e ele foi incapaz de traduzir os inúmeros "eu te amo" expressados através de gestos de carinho, cuidado e atenção.
Ele vivia na expectativa de ouvir a frase e com isso deixou de usufruir dos gestos.
Um prato favorito preparado com amor é um eu te amo cheio de sabor, um “avisa quando chegar” é um eu te amo zelando pela sua segurança, uma presença silenciosa, pode ser um eu te amo em forma de acolhimento, de colo e alicerce. E são tantas as formas em que o amor pode se manifestar.
Então eu pergunto, quantos “eu te amo” você deixou de ouvir por não estarem exatamente dentro da expectativa que você criou?
Reflita, busque com honestidade as respostas, e que elas tragam uma boa dose de consciência. E desejo que possamos apurar nossos sentidos, para não mais deixar de ouvir e compreender todos os “eu te amo”, sejam eles ditos ou demonstrados, pois a mais pura e verdadeira linguagem…é o amor.
#pracegover #paratodosverem imagem de uma mulher de cabelos longos e ondulados, presos por uma faixa, usando vestido com fundo branco e estampa de pequenas flores em tons de rosa e azul, diante de um fogão cozinhando feliz e sorrindo, da panela sai um vapor em forma de coração. Arte digital





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