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  • Claudia Vilas Boas

Zona de conforto

Atualizado: 30 de Out de 2019


O que fazer quando percebemos que nossa vida está estagnada? Quando nos parece que estamos vendo os dias passarem sempre iguais através da janela?

Quando sentimos que não estamos conduzindo nosso movimento diário, mas estamos sendo arrastados pela rotina e pelo medo de mudar, de sair da zona de conforto e arriscar?

O medo de sair de trás da janela e conhecer a temperatura e o barulho lá de fora.

E o que muitos de nós fazemos por muito tempo? Às vezes por toda uma vida? Suprimos as carências alheias. Cuidamos de filhos, maridos, esposas, companheiros, familiares, sem termos uma identidade muito definida, somente esposa, marido, mãe, pai, funcionária (o), amiga (o), enfim, as várias identidades possíveis em cada ser humano, contudo sem uma que defina quem realmente somos.

E, de repente, pode surgir uma necessidade quase desesperada de juntar todas essas identidades dispersas e resgatar a pessoa que havíamos deixado de ser, a pessoa escondida atrás de tantos medos e inseguranças.

Enfim, tomar coragem, abrir a janela e encher os pulmões de ar, fuligem, sentir o vento, o sol, o calor, o frio. Entender que é chegado o momento de enfrentar as intempéries da vida...da nossa vida. Enfrentar o medo que nos impediu por muitos anos de escolher nossos caminhos, trabalhar com o que nos dê prazer, buscar o que nos faz felizes.

De nos sentirmos livres e donos de nosso destino. E não importa qual seja a idade, decidirmos que nunca será tarde para recomeçar.

Uma nova carreira, um novo caminho, podem ser difíceis, o processo é lento e em alguns momentos doloroso. Mas, por outro lado, pode ser extremamente necessário.

Aceitar que sonhos e sentimentos mudam, e que não podemos deixar de lado nossa felicidade para atender somente às necessidades alheias, para que outros sejam felizes enquanto sofremos de solidão...embora muitas vezes estejamos acompanhados.

Sair de longos relacionamentos, que já não fazem mais sentido algum, sempre será difícil, porque dói, a incerteza machuca. Dói também saber que talvez traga sofrimento, mesmo que temporário, para pessoas que você ama muito. Mas infelicidade contagia e permanecer seria ainda mais dolorido.

É preciso coragem...coragem para enfrentar mudanças, recomeços, dificuldades, dúvidas. Muitas dúvidas: será a melhor decisão, a escolha acertada, o momento certo?

Mas será que existe momento certo?

Estamos sempre empurrando as definições da nossa vida para momentos futuros, sempre com alguma desculpa. E quando nos damos conta, a vida passou e nós ficamos parados esperando o momento certo que nunca apareceu, porque na verdade esse momento não existe. Ele não vem prontinho se oferecendo a nós, ele depende da nossa atitude, da nossa iniciativa. Somente nossa escolha de sair de onde estamos pode criá-lo. Ou assumimos o leme ou ficamos à deriva.

A vida precisa de intensidade, paixão, e é esse sentimento que nos impulsiona a continuar nos movimentando e redefinindo nosso caminho sempre que ele pareça não estar nos levando a lugar algum. Precisamos ser intensamente apaixonados por nós mesmos, por quem somos, abrir nossas janelas, deixarmos de ser observadores e assumirmos a direção dos nossos voos.

E então...qual lado da janela você vai escolher?

#pracegover foto de uma mulher de costas saindo por uma janela. ela está vestida de branco, com flores brancas nos cabelos e do seu lado direito tem uma pomba voando. Diante dela está o mar e seu vestido se mistura às água do mar.



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