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  • Claudia Vilas Boas

Será o fim?

Em tempos de calamidade pública e isolamento, estamos todos vivendo um processo de autoconhecimento. É um momento em que passamos a ouvir a voz interior que é constantemente abafada pelo barulho da rotina. O que iremos aprender com isso? Nos tornaremos pessoas melhores? Tudo é relativo e também nesse caso o resultado final dependerá das escolhas individuais. Que tipo de pensamento você estará alimentando? O medo, negativismo, raiva, tristeza, ou, esperança, positivismo, amor, solidariedade?

Minha experiência pessoal nesse momento é uma mistura de sentimentos. Muitas vezes me vejo apreensiva pela possibilidade de caos que pode se instalar, mas também me emociono por ver a humanidade renascendo com uma força incrível. Pessoas se oferendo para fazer compras em mercados e farmácias para aqueles que não podem se expor por fazerem parte do grupo de risco. Há quanto tempo muitos nem se lembravam que ao seu redor havia uma vizinhança? Jovens que reclamavam de ir à padaria comprar um pãozinho para o lanche de sua família, se oferecendo para auxiliar quem sequer conhecem. Grupos se formando nas redes sociais para compartilharem serviços e se ajudarem mutuamente. Todos dispostos a ceder e perder um pouco, para que muitos não percam tudo. Como não se emocionar? Há muita dor e sofrimento sim, mas há um aprendizado e uma riqueza espiritual brotando que transcende a tudo. Estamos vivendo um isolamento físico, mas uma proximidade emocional como nunca antes. Indivíduos esquecendo divergências para se unirem em uma causa humanitária. Há sim, sempre, aqueles que continuam julgando, criticando e apontando dedos. Esses não entenderam nada ainda e não são a maioria, graças a Deus. Nosso planeta é uma esfera, não há cantos, não há vértices, nem interrupções. Nossa energia está girando ininterruptamente. Estamos todos unidos espiritual e emocionalmente. Todas as preces são bem vindas, de todas as crenças, de todas as partes do mundo. Já passamos por várias tragédias pontuais, terremotos, tsunamis, desabamentos, incêndios, em que todos nos compadecíamos pelas pessoas que estavam passando por aquele sofrimento. Contudo, agora o mundo todo compartilha a mesma dor, os mesmos medos. Estamos descobrindo nesse momento que somos uma única raça, separada por distâncias, línguas, classes e costumes, e agora unida por uma calamidade mundial. Será mesmo o fim dos tempos? Prefiro pensar em recomeço, renascimento. Otimismo demais? Pode ser. É uma escolha. O pessimismo e o medo causam muito estrago, física e emocionalmente. Já se constatou que o estado emocional pode afetar a condição física, baixar a imunidade. Pessoas somatizam doenças. Por isso prefiro voltar meu olhar para as pessoas extraordinárias que estão surgindo dessa crise. Então me pergunto: será mesmo o fim? Ou será um recomeço, um renascimento da nossa humanidade esquecida e encoberta pela correria dos dias e pelo individualismo desses tempos? Fica a pergunta. Reflitam e observem.

#pracegover imagem do planeta terra sendo envolvida por silhuetas de pessoas de mãos dadas ao seu redor. Ao fundo o céu estrelado.


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