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  • Claudia Vilas Boas

Reciprocidade

Muitas vezes só conhecemos uma pessoa verdadeiramente quando nos afastamos dela. Só assim conseguimos enxergar o que ela realmente é, sem o embotamento da nossa versão idealizada.

Às vezes não entendemos por que certas pessoas se mantêm em relações abusivas, mas acredito que é porque elas não veem o que todos ao redor enxergam.

A carência, a baixa autoestima, a falta de amor próprio são como cortinas de fumaça.

Muitas vezes nós é que nos apegamos às nossas expectativas e com isso distorcemos completamente a realidade.

Em outras circunstâncias o que a princípio era bom e verdadeiro pode se transformar com o tempo, mas nós estamos tão fixados no que entendemos como ideal, que não percebemos as mudanças, ou simplesmente nos negamos a aceitá-las.

Dizem que o melhor tipo de pessoa a se ter por perto é aquela com quem você pode ser totalmente você, absolutamente você, sem disfarces, com as cicatrizes expostas e os remendos à mostra. E o que nos faz sentir assim? A base para essa sensação, para esse desprendimento é a confiança.

E é por isso que a quebra de confiança é uma das piores dores. Porque estando tão exposto, tão transparente, o outro sabia de antemão os danos que seriam causados, e não se importou com isso.

Relações interpessoais são realmente difíceis porque queremos controlar o que o outro sente. E o ideal é realmente a reciprocidade. Tendemos a transferir o que sentimos para o outro, exigindo total correspondência de sentimentos e atitudes. E isso até acontece em muitas relações, onde a parceria e sintonia são admiráveis. Mas temos que ter em mente que só podemos ter controle sobre os nossos sentimentos e atitudes e esperar receber o mesmo em troca, mas sempre entender que cada indivíduo é um universo particular, e que nada é imutável.

E se por acaso nossas expectativas forem destruídas e nossa confiança quebrada, que isso não nos pegue de surpresa a ponto de nos destroçar. E mesmo que doa, que machuque, de uma certa forma, tendo essa consciência de que podemos esperar reciprocidade, mas nunca exigir, já criamos os mecanismos para superar, pois em algum lugar escondidinho, nós sabíamos dessa possibilidade e isso inconscientemente nos prepara para enfrentar e superar no nosso devido tempo.

E cada experiência nos torna mais sábios e mais próximos de aprender a identificar os sinais que nos mostrarão em quem podemos confiar ou não. E então, nos proporcionarmos a oportunidade de viver o mais lindo dos sentimentos...aquele que é recíproco.

#pracegover ilustração de dois ursinhos de pelúcia amarelos, sentados em um banco de jardim, abraçados sob um guarda-chuva preto, observando a chuva caindo sobre as montanhas.


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