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  • Claudia Vilas Boas

Por nós

De todas as tragédias que nos são expostas diariamente, uma que me toca profundamente é o suicídio. O quanto de dor uma pessoa está carregando para ser maior do que os seus amores, suas conquistas, toda a sua história e tudo o que ela estará abandonando?...É imensurável.

E é uma dor que acaba sendo multiplicada, pois em muitos casos, as pessoas ao redor só tomam conhecimento dela a partir da tragédia. E nesse momento são atingidas de forma abrupta e dolorosa.

É uma morte compartilhada. O suicida não tira somente sua própria vida, leva consigo uma parte da vida daqueles que o amam. Uma parte que talvez nunca mais se regenere.

E não raras são as vezes em que deixa em quem fica o enorme peso da culpa. Culpa por não ter percebido, culpa por não ter ouvido os apelos por ajuda. Contudo, há gritos que são inaudíveis.

E seria necessário que se perdoasse para seguir em frente. Mas, como fazer isso? Como suportar tamanha dor, como aceitar o inaceitável?

Então pedimos aos que não estão sendo ouvidos: se vocês algum dia estiverem passando por alguma dor absurdamente insuportável, gritem...gritem a plenos pulmões, com toda a potência de suas gargantas. Gritem para acordar os sonâmbulos, gritem para nos salvar da nossa própria indiferença. Perdoem-nos por nossa cegueira e surdez, muitas vezes estamos perdidos em nossos próprios conflitos, expectativas e decepções. Gritem por vocês, gritem por nós. Gritem para nos inserir na sua realidade, para dividir conosco sua dor. Mas, por favor, não nos abandonem,cada um de vocês é importante demais. Gritem, precisamos da sua voz, para resgatar nossa humanidade.

#pracegover ilustração de várias pessoas sentadas em um banco, diante de um quadro que retrata um rosto de mulher com a boca aberta,e as mãos abertas na frente da face.


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