Os fins justificam os meios?

Em dezembro de 2012, durante uma corrida de cross-country em Burlada, Navarra, o corredor queniano Abel Mutai, que era o líder isolado da prova e havia sido medalhista de bronze nos Jogos Olímpicos de Londres, se confundiu com a sinalização da pista. Pensando que já havia cruzado a linha de chegada, Mutai desacelerou e parou cerca de 10 metros antes do fim real da corrida.
Iván Fernández Anaya, um atleta espanhol, estava em segundo lugar e vinha logo atrás. Em vez de aproveitar o erro do adversário para ultrapassá-lo e vencer a prova, o espanhol alcançou Mutai e, usando gestos, guiou o queniano até a linha de chegada, deixando que ele vencesse a corrida.
Quando perguntado por que fez aquilo, Iván respondeu:
"Eu não merecia vencer. Fiz o que tinha que fazer. Ele era o justo vencedor. Ele criou uma vantagem que eu não conseguiria superar se ele não tivesse se enganado. Assim que vi que ele estava parando, soube que não passaria por ele."
Alguns jornalistas insistiram, afirmando que ele poderia ter vencido, ao que ele respondeu :
"Mas qual seria o mérito da minha vitória? Qual seria a honra dessa medalha? O que a minha mãe pensaria disso?"
Essa resposta se espalhou de forma impactante, trazendo muitas reflexões.
Ao citar sua mãe, ele traz a importância dos valores éticos e morais passados a nós por nossa família.
Trata também do merecimento. Uma vitória conseguida por meio de trapaça e oportunismo, não tem honra, não é uma conquista verdadeira.
Aceitar que nem sempre é possível vencer todas as batalhas é um ato de coragem e maturidade.
Hoje vemos pessoas que se vendem por um punhado de moedas, abrindo mão de seus valores mais caros, envergonhando aqueles que os antecederam.
Assumem um personagem patético e desprezível, por motivos egoísticos e vis.
São covardes, como todo manipulador sempre é. Fingem, mentem e enganam sem o menor pudor ou qualquer resquício de empatia.
Traçando um paralelo entre a atitude do atleta espanhol e a obra O Príncipe, de Nicolau Maquiavel, vemos em sua atitude o exato oposto daqueles que são capazes de utilizar de meios cruéis e imorais para atingir seus objetivos.
Para o atleta os meios eram mais importantes que o fim em si. A vitória era o objetivo, mas consegui-la com seu próprio esforço e mérito era o que a tornaria valiosa. Aproveitar-se do erro do outro competidor poderia lhe trazer o troféu e o prêmio, mas não o sabor da conquista. Esta estaria contaminada pela certeza íntima do fracasso e da vergonha.
O grande vencedor em qualquer que seja a batalha, sempre será aquele que não abandonou seus valores éticos e morais, que não trapaceou e que sabe que desempenhou sua missão de forma honrosa. Combateu o bom combate, honestamente. Que independente do resultado, caminhou amparado pela verdade e seguiu o caminho de forma reta, sem desvios.
De forma nostálgica, me recordo dos desenhos animados de minha infância, um em especial, que eu gostava muito, chamado Corrida Maluca, de Hanna-Barbera, onde dez pilotos, em carros malucos e com estilos diferentes, disputavam corridas pelo país. Um dos personagens mais icônicos era o vilão Dick Vigarista, que sempre tentava ganhar a disputa trapaceando, mas todas as armadilhas acabavam falhando e se voltando contra ele. Naquela época havia uma mensagem muito clara de que o mal não compensava. O vilão não saia vitorioso. O mal não vencia o bem.
Essa moral se refletia também na sociedade da época, onde os valores da família eram os pilares que a sustentavam.
Hoje vemos tantas distorções e inversões de valores.
Felizmente estamos vislumbrando, ainda que de forma tímida, uma retomada desses princípios e valores tão importantes para a saúde do nosso planeta como um todo.
E desejo de todo coração, que estejamos caminhando para tempos de mais equilíbrio e harmonia, e que façamos parte desse resgate de ideais pautados no amor, no respeito, na honestidade e na verdade.
Nosso objetivo final será conquistado com honra e mérito, e ele está próximo de se concretizar.
#pracegover #paratodosverem ilustração com referências do desenho animado da década de 70, chamado Corrida Maluca, mostrando o vilão Dick Vigarista jogando pregos na pista para prejudicar os demais competidores. Arte digital feita por IA.





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