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O que realmente importa?

  • Foto do escritor: Claudia Vilas Boas
    Claudia Vilas Boas
  • há 18 horas
  • 3 min de leitura

Se eu acreditasse em coincidências, poderia achar que o vídeo que assisti recentemente sobre um dos filmes que mais gosto, foi apenas uma obra do acaso.

Contudo, entendo como uma mensagem, um novo olhar sobre algo que eu não havia percebido.

O vídeo trazia uma análise mais humana sobre a história. Aliás, descobri que esse filme, na verdade foi uma refilmagem, e que o original é alemão e foi lançado em 1987.

O filme a que me refiro é o clássico Cidade dos Anjos.

Seth era um ser angelical que assistia a todas as mazelas da humanidade, observava todos os riscos, dores e toda sorte de sofrimentos, sua missão era guiar as almas dos que estavam desencarnando.

Perambulava por hospitais e acabou por se encantar por uma médica dedicada e sensível, o que o levou a uma difícil escolha.

Mesmo tendo ciência de toda dor, angústia, riscos e vulnerabilidade do ser humano, ainda assim, abriu mão de sua paz eterna para experienciar o amor em toda sua amplitude.

Apesar de sua essência amorosa ele quis sentir a única forma de amor que desconhecia, e isso o tornou um ser pleno e mais completo.

O desfecho do filme, apesar de triste, traz uma grande reflexão.

Após viver a tragédia de perder o grande amor que o fez desistir de sua vivência celestial, Seth é visitado por seu amigo, o Anjo Cassiel, que lhe faz a seguinte pergunta: “Se você soubesse que isso ia acontecer, teria feito?” Se referindo ao fato de Seth ter escolhido se tornar humano para viver o amor ao lado de Meg, e tê-la perdido rapidamente de forma trágica. Ao que ele responde, dizendo que preferiria ter sentido o cabelo dela uma única vez, ter dado um único beijo, ter tocado uma vez a sua mão, do que uma eternidade inteira sem isso.

Somos todos espíritos em constante evolução, e portanto, criaturas eternas.

Seth escolheu o desafio de não apenas acolher aquela humanidade, mas viver na própria pele e entender de forma precisa tudo o que apenas observava.

E esse diálogo icônico e tão carregado de dramaticidade nos traz a consciência de que mais do a quantidade de tempo o que realmente importa é a intensidade das relações e das experiências vividas.

Quantas vezes nos privamos de viver experiências enriquecedoras e de experimentar sentimentos com intensidade, com medo de sair da zona de conforto, com receio de correr riscos?

As jornadas mais incríveis se iniciam quando o primeiro passo é dado.

A história por traz do filme talvez seja o maior exemplo do quanto vale a pena persistir e acreditar em nossos sonhos.

A produtora desse filme, levou nove anos para conseguir levá-lo às telas, após recusas de vários estúdios, que não acreditavam que ele pudesse ter algum sucesso. Contudo, ela insistiu, pois acreditava que aquela história precisava ser contada, e ela estava certa. Para surpresa de muitos, ele se tornou um imenso sucesso e um clássico, bem como sua trilha sonora.

E assim como no filme, a produtora Down Steel, que não desistiu de levar essa maravilhosa mensagem ao público, não pode presenciar a estréia e o consequente sucesso de algo que só aconteceu em razão de sua paixão e teimosia, pois faleceu meses antes. Mas com certeza ela partiu sabendo que todos os anos de luta para realizar esse sonhado projeto, que cada minuto dedicado, valeu muito a pena. E no final, é isso que realmente importa.

#pracegover #paratodosverem Ilustração de um casal de mãos dadas caminhando por um jardim, ambos estão sorrindo, vestem roupas casuais, ele calça clara, camiseta e tênis, ela vestido florido e tênis branco. O jovem tem em suas costas um enorme par de asas angelicais translucidas. Arte digital.

 
 
 

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