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  • Claudia Vilas Boas

O lado positivo

Lá se vão 6 meses.

E o que a princípio parecia o fim do mundo, um cenário assustador, acabou por se mostrar uma grande escola.

Nesse período descobri tantas coisas, tanto boas quanto más.

Mas prefiro me ater ao lado bom da experiência.

Descobri pessoas incríveis. Descobri que tem muito mais gente boa do que ruim. E que o bem faz um trabalho de formiguinha, não muito visível, mas incessante.

Tantas pessoas se descobriram também nesse período.

Estamos acostumados a olhar para longe, admirar pessoas que estão em evidência, mas distantes de nós.

E agora encontramos verdadeiras jóias tão próximas.

Descobri vizinhos que se descobriram excelentes padeiros, se reinventando para sobreviver à crise. E onde eles estavam antes disso? No andar de cima. Tão pertinho. E, assim, por acaso me deparei com pessoas batalhadoras, positivas e que, como eu, adoram animais. Mais que cliente, me tornei amiga.

Também tão aqui pertinho, nas ruas próximas, moradores colocando barraquinhas em suas portas com mantimentos para quem ficou sem recursos para o alimento diário. “Quem tem põe, quem não tem tira.”

E, de uma forma surpreendente, quando vamos nos sintonizando com pensamentos e atitudes positivas, a sincronicidade acontece.

Vi no meu bairro, pessoas se unirem para salvar da ruína pequenos comerciantes já idosos, que dedicaram uma vida para se estabelecer e estavam desesperados com a possibilidade de perder não somente o seu negócio, mas a sua dignidade.

De repente me vi incluída em um grupo que periodicamente faz bazares virtuais para que pequenos empreendedores possam oferecer seus produtos. E cada entrega vem recheada de gratidão. Receber com seu pedido um bilhetinho carinhoso, manuscrito, deixa o coração quentinho.

Os dias passaram mais lentamente, e com isso conseguimos observar o mundo ao nosso redor. Já não desejávamos que os dias voassem, ávidos pelo final de semana. Cada dia trazia uma lição, um desafio.

Hoje, mais do que nunca eu quero que tudo isso passe. Mas não porque eu esteja com saudade de poder ir à bares, restaurantes, cinemas, shows, coisas que eu sempre gostei muito. Não porque eu queira que tudo volte a ser como antes. Até porque não quero. Minha perspectiva atual não cabe no mundo que existia antes.

O que eu mais quero é poder abraçar cada uma das pessoas que hoje eu sei o quanto são importantes. As que eu já conhecia e as que chegaram nesse momento. E que por conta das circunstâncias, só podemos acenar de longe e sorrir atrás de nossas máscaras.

E lá se vão 6 meses, que trouxeram um aprendizado de 6 décadas. Que despertaram muitas pessoas, que nos ensinaram a ler olhares, que nos fizeram enxergar com mais clareza quem somos e o que realmente nos é tão necessário.

E tudo isso nos traz a esperança de tempos melhores, ao menos para aqueles que usaram esse tempo precioso para promover o bem, que investiram no lado positivo e que já se tornaram pessoas melhores do que eram antes.

E assim como um professor não pode atrasar toda uma classe, por conta de meia dúzia de alunos desinteressados, o planeta, nossa grande escola, não poderá interromper seu processo evolutivo por conta dos que não aprenderam nada, se acomodaram e apenas gastaram seu tempo preocupados com sua autopreservação e julgamentos. Eles terão a oportunidade de repetir as lições até que as compreendam. Cada segundo traz uma nova chance de despertar e enxergar o lado luminoso da vida.

#pracegover imagem de um céu cheio de nuvens escuras sendo aberto por um zíper, que vai descortinando um céu azul com uma nuvem em formato de coração.


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