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  • Claudia Vilas Boas

Multifuncionais

Hoje o assunto é um pouco delicado, e apesar de ser muito recorrente, não é muito discutido abertamente.

Muitas mulheres vivem ou viveram algo parecido.

Falo da escolha de viver em função de filhos, marido e administração da casa.

O que muitas vezes acontece, é que essa escolha implica em deixar para trás sonhos, projetos pessoais e realização profissional.

E não tenho nada contra isso, acho muito louvável.

Contudo, quando a relação do casal não vai bem, quando há um desgaste, duas situações podem ocorrer: a mulher se manter na relação por sentir-se dependente economicamente, ou escolher a separação.

Se a escolha for a separação, surge aí a questão complicadíssima de retomar sua autonomia financeira.

Não raramente, quando a iniciativa partiu dela, essa dependência acaba sendo usada como forma de pressionar ou até como uma vingança, em alguns casos.

E normalmente, esse trabalho de administrar a família, os conflitos, dar suporte emocional, não é muito valorizado. Portanto, não há como monetizá-lo.

Há vários casos, em que o casal consegue resolver essa questão de forma justa e civilizada, mas, infelizmente, não é a regra.

Contudo, a mulher é um bichinho danado e criativo. Depois de passado o desespero inicial, elas se viram, dão seus pulos, e o resultado é surpreendente.

Adoro ler as histórias de superação. E um lugar recheado delas, são esses grupos que anunciam serviços.

Administrar casa, filhos, marido, familiares, conflitos, educação, orçamento e todas as tarefas inerentes às atribuições de uma “dona de casa”, traz uma gama de habilidades impressionantes.

Vi algumas ideias incríveis. E vou citar alguns exemplos que achei muito interessantes:

- uma mulher criou um serviço de assessoria em compras para pessoas que não tinham tempo nem paciência. Listas de presentes de Natal, aniversários ou qualquer tipo de evento. Ela pesquisava produtos, preços, lojas, marcas. Passava o orçamento e, se aprovado, entregava tudo prontinho.

- uma outra resolvia qualquer questão burocrática, fazia serviço de cartório, providenciava documentos etc.

- e tinha também a que organizava armários e otimizava espaços.

Percebem o quanto isso é sensacional? Elas conseguiram usar a experiência de tudo o que elas fizeram de forma rotineira em suas vidas, para ganhar dinheiro. Mostraram o quanto todo esse conhecimento, que não era remunerado, tem valor. Profissionalizaram o que nunca foi visto como trabalho.

E com certeza, isso resgata o amor próprio e a auto-estima, que frequentemente são deixados em segundo plano.

Mas não as trato aqui como vítimas, pois, foi a escolha delas. Lógico que, com exceção dos casos em que o abandono da profissão foi imposto pelo parceiro.

A questão para a qual quero chamar a atenção é que muitas mulheres, por não receberem um salário, se sentem diminuídas, e na verdade elas não deveriam se sentir assim. Tiro o chapéu para elas, mulheres multifuncionais, vocês são maravilhosas.

#pracegover imagem da silhueta de uma mulher multicolorida voando como uma super heroína, sobre um fundo azul.


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