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  • Claudia Vilas Boas

Ingratidão

Muitas vezes falei sobre gratidão, mas hoje venho falar da ingratidão.

Sempre disse que gratidão é um sentimento. E para mim, ingratidão é uma atitude.

Quando fazemos algo de bom a alguém, seja isso um favor, uma gentileza, doação ou prestamos qualquer tipo de auxilio, devemos fazê-lo por sentirmos que é o correto, que estamos de alguma forma contribuindo para tornar melhor um lugar, aliviar um sofrimento, enfim, trazer algo de benéfico para os que recebem.

Se fazemos porque nosso coração assim deseja, não devemos esperar nenhum tipo de retribuição alheia, sequer um agradecimento. Até porque a melhor retribuição vem da nossa própria consciência. Sentimos o coração quentinho, como dizem hoje em dia.

É lógico, que é muito bom receber um sorriso sincero, talvez um abraço ou um simples obrigado (a), uma vez que a energia da gratidão, que acompanha esses gestos, é benéfica e poderosa. Embora não seja esse o objetivo primário, essa energia sempre nos alcança de alguma forma.

Então o que seria a ingratidão?

Na minha concepção seria uma atitude reversa. Retribuir o bem com o mal. Ferir, ofender, agredir, até mesmo, atentar contra a pessoa através de atos criminosos.

A conduta, em si, dói, machuca e fere a alma, muito mais profundamente do que qualquer lesão física. Podem até mesmo, em alguns casos, trazer culpa pela atitude ingrata e cruel praticada pelo outro.

É natural, portanto, que sintamos tristeza, algumas vezes revolta e mágoa.

E isso contamina nossa alma e energia.

Lembro aqui de uma história bem conhecida , em que uma pessoa grosseira resolveu dar um presente a outra pessoa por seu aniversário, mas na verdade, queria ser irônico. Preparou uma bandeja cheia de lixo e restos. Na presença de todos, porque sentia prazer em humilhar publicamente, mandou entregar o presente, que foi recebido com alegria pelo aniversariante. Gentilmente, o aniversariante agradeceu e pediu que o esperasse um instante, já que ele gostaria de poder retribuir a gentileza. Tirou o lixo, lavou a bandeja, a cobriu de flores, e a devolveu com um papel, onde dizia: “ Cada um dá o que possui”.

Esse texto, de autoria desconhecida, circulou em muitas redes sociais, e traz uma grande verdade.

Cada um só pode oferecer ao mundo o que traz dentro de seu coração.

Sei que não é fácil receber esse tipo de lixo, mas ele não nos pertence. Devemos, então descartá-lo, limpar em nós a sujeira. Cada um à sua maneira, não há fórmula pronta para isso.

Num primeiro momento pode-se sentir raiva, revolta, deixe sair, grite se for preciso, ou chore até sentir-se esgotado e purificado.

Dizem que os olhos são as janelas da alma, talvez por isso nosso Criador tenha colocado, exatamente ali, as torneirinhas para transbordar e limpar as impurezas que nos afligem o coração.

Respeite seu tempo, mas livre-se da imundície, não permita que ninguém contamine a sua essência.

Se possível afaste-se e tire essa pessoa da sua vida, da sua história.

Blinde-se contra a escuridão alheia e mantenha sua luz acesa.

Não deixe um coração quentinho se transformar num coração peludo e endurecido. Essa sombra não te pertence. Permita que ela retorne para seu lugar de origem.

Gastemos nossa energia para trabalhar nossas próprias sombras e que a lei do retorno se encarregue de distribuir a cada um o produto de suas ações, tanto para o bem como para o mal.

Que o ingrato carregue o peso da própria ingratidão.

#pracegover #pratodosverem sobre um fundo preto, imagem em preto e branco de duas mãos em concha, ofertando uma rosa vermelha.


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