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  • Claudia Vilas Boas

Indulgência

Tanta gente sendo bacana da boca pra fora e valendo nada quando se está “tête-à-tête” consigo. Querendo parecer sem realmente ser.

Pessoas super do bem, cheias de empatia com as causas grandiosas, mas sem o menor cuidado e afetividade com as pessoas que a rodeiam.

Tudo hoje é muito fugaz, as indignações duram até que algumas rolagens no feed de notícias das redes sociais mostre algo que esteja mais em evidência, que passe a ser o novo motivo para merecer seus 15 minutos de indignação e talvez algum textão cheio de revolta...momentânea.

Julgamentos e condenações distribuídos fartamente sem se pensar em consequências.

O que aconteceu com as últimas gerações?

Tudo é ofensivo, tudo é problematizado.

Respeito só é oferecido a quem segue a mesma cartilha. Divergir? Proibidíssimo. Escutar? Desnecessário.

Empatia? Muita falada e pouco praticada.

Eu até entendo que na adolescência nos achamos os donos da verdade, os hormônios estão em efervescência e os ânimos estão sempre em polvorosa.

Contudo, parece que em alguns casos, diria até, em muitos casos, esse comportamento imaturo tem se estendido demasiadamente.

São tantos perdidos de si mesmos, precisando se enquadrar em padrões alheios, em tribos, em narrativas nas quais sequer acreditam.

Discursos que não encontram similitude com atitudes.

Valores como honestidade, respeito, gentileza caíram em desuso.

Máscaras são trocadas de acordo com a conveniência do momento.

Incoerência e hipocrisia são aceitas e tratadas com normalidade.

O desencontro é tamanho, que até o “Samba do crioulo doido”, escrito por Sérgio Porto parece fazer mais sentido.

Precisamos desacelerar. Olhar a vida com vagar, com mais amor e indulgência.

Parar de julgar em alta velocidade e ouvir mais demoradamente.

Perdoar mais do que condenar.

E antes de olhar o erro alheio, apontar honestamente os nossos próprios.

Precisamos de mais transparência. Independente da etnia, a cor da transparência é o que nos torna semelhantes, irmãos, iguais.

Que possamos usar um vocabulário rico, muito rico em palavras para enaltecer e acalentar, para evitar a discórdia, e não para provocá-la ou causar qualquer forma de humilhação.

Indulgência em palavras e atos. Isso é amor e essa é a frequência necessária para mudar o rumo da humanidade. E somente nesse caso devemos apressar o passo, pois o tempo urge.

#pracegover imagem em preto e branco de uma ampulheta com a parte de cima mais cheia e com a silhueta de uma pessoa sentada sobre a areia.


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