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  • Claudia Vilas Boas

Inclusão?

Diante de tantas cobranças, julgamentos e exigências, eu me pergunto: o quanto as pessoas estão perdendo nessa verdadeira guerra?

Será que alguém ou algum grupo, tem o direito de determinar como é correto pensar, se comportar ou sentir? E dessa forma impor um padrão para transferir a terceiros a responsabilidade de lidar com as suas frustrações?

Se você depende que outras pessoas te façam sentir confortável é porque você mesmo não se aceita e não se respeita.

Esperar que outras pessoas nos validem é a maior prova de que não nos amamos do jeito que somos.

Hoje se vê uma inversão imensa de valores. Sempre aprendi que democracia é respeitar a vontade da maioria, mas hoje não é isso que vemos.

Valores tem sido esmagados, aberrações de linguagem sendo impostas, comportamentos, invasões à privacidade e às liberdades de pensamento e expressão, simplesmente porque algumas pessoas arrogaram para si o direito de não ser ofendidos, mesmo que isso ofenda aos demais. Colocaram nos outros, o peso de fazê-los sentirem-se “confortáveis”, sendo que isso nunca vai acontecer. Simplesmente porque isso é algo que não depende dessas soluções rasas. Isso exige um imenso trabalho interno.

Quem realmente se aceita e se ama estará bem onde quer que se encontre, pois a opinião e validação dos outros não importa.

Eu tenho repetido muito essa frase: nada está fora, tudo está dentro.

Nada externo poderá suprir o que falta dentro. Enquanto as pessoas não entenderem isso viveremos um ciclo interminável de imposições e soluções superficiais, além de contribuir para dividir a cada dia mais a humanidade. A mudança linguística não bastará, daqui a pouco serão exigidas mudanças comportamentais, de vestimentas e por aí vai.

Tem um texto que li outro dia, que expõe exatamente a hipocrisia e egoísmo de certas atitudes, pois elas visam somente um pequeno grupo, que não se importa com os verdadeiros excluídos, aqueles que não tiveram opção, não escolheram sua condição. E mesmo assim se adaptam e enfrentam suas dificuldades com nobreza, sem vitimismo. Deixo a seguir o link para quem se interessar em ler, vale a pena (http://aquideribeiraopreto.blogspot.com/2021/07/inclusao.html?m=1) .

Existem muitas pessoas apontando dedos e julgando quem pensa diferente, como se elas fossem as pessoas mais virtuosas da face da terra. Todos temos muito o que aprender.

Então, antes de acusar qualquer um que seja, olhe as suas atitudes.

Será que você é tão inclusivo e preocupado em tornar o mundo ao seu redor confortável?

Por exemplo, conhece a linguagem de sinais, usa a descrição de imagens em todas as suas redes sociais, com a maior riqueza de detalhes possível, pensa em como certas atitudes e conhecimentos podem melhorar o contato com autistas e tantas outras ações possíveis?

Se mudar uma vogal em algumas palavras fosse a fórmula para um mundo mais empático e verdadeiramente inclusivo, já estaríamos vivendo em um lugar muito mais evoluído. Incluir significa abranger, abarcar, acolher, abraçar, fazer parte. União e não divisão. E para que isso aconteça é necessário que o respeito seja o pilar. Portanto, como dizem, o buraco é mais embaixo, a solução exige profundidade e boa vontade de todos.

O que me lembra uma frase que vi outro dia: Em um mundo de pessoas rasas, mergulhar de cabeça é perigoso. (Ivan Mola)

#pracegover Sobre um fundo branco, um coração formado por peões de xadrez coloridos, azuis, vermelhos, verdes e amarelos, alinhados lado a lado.


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