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  • Claudia Vilas Boas

Inércia

Inércia, em sentido figurado significa: ausência de reação; falta de mobilidade; estagnação. Eis um mal que assola a humanidade.

Não basta não querer o mal, não combatê-lo é o mesmo que praticá-lo.

A observação do cotidiano é a matéria prima do cronista. Infelizmente o que tenho observado nos últimos tempos é o desabrochar da essência de muitos que se dizem “humanos”.

O quadro que se apresenta tem cores muitas vezes sombrias e pesadas.

Isso me fez refletir sobre o papel da humanidade nos piores episódios da nossa história.

Pensei no momento em que Pilatos pergunta à multidão, quem deveria ser salvo, Jesus ou Barrabás. Parte dela grita o nome de Barrabás. Esses personificam os maus. Mas não foram eles os responsáveis pela crucificação do Cristo, foram aqueles que silenciaram, que em nenhum momento se manifestaram para defendê-lo, e, dessa forma, lavaram as mãos juntamente com Pilatos.

No meu entendimento, Jesus Cristo não veio para nos salvar, mas sim para mostrar o que somos e o que podemos ser. Evoluir é uma escolha, ninguém pode interferir.

Tantas outras vezes essa isenção, levou milhares de pessoas a sofrimentos inimagináveis. Não vou nomear tais episódios, pois o intuito é o de que cada um busque o conhecimento por si próprio.

Mas a questão é que, verdadeiros genocídios aconteceram por pura inércia da grande massa. E depois da tragédia já estabelecida, as pessoas ainda se perguntam como deixaram que aquilo acontecesse. Simples, basta que olhem no espelho e percebam seus braços cruzados, olhos e ouvidos tapados.

O mundo se perde nesse egoísmo em nome de uma falsa coletividade. Gritam que suas atitudes são pelo bem maior, mas lá no fundo, se conseguirem ser honestos, sabem que isso é apenas um disfarce. Aqui cabe bem aquele ditado: “farinha pouca, meu pirão primeiro”. A quem eles estão tentando enganar?

Muitos que se dizem espiritualizados, já esqueceram que estamos aqui para evoluir como pessoas, e que só podemos fazer isso através de nosso livre arbítrio, das nossas próprias escolhas. E assim, vivem anestesiados no conforto e nas distrações do materialismo, na distração e comodismo, sendo teleguiados, sequer sabendo por quem realmente são governados.

Há também aqueles que terceirizam a responsabilidade, esperam que a solução caia do céu, literalmente. Que Deus, os Santos e Orixás operem de forma milagrosa. E que a eles só cabe pedir e esperar a sua harpa e a desejada nuvenzinha no céu, para viver no ócio eterno.

Isso pode até parecer fácil, mas um dia a conta chega. E não adianta querer culpar ninguém pelo próprio oportunismo.

Há tantas frases conhecidas que tentaram alertar sobre os perigos da omissão, mas citarei apenas duas:

“O que me preocupa não é o grito dos maus, mas o silêncio dos bons. No final não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos”. (Martin Luther King)

"Para que o mal triunfe, basta apenas que os homens de bem não façam nada." (Edmund Burke)

Não sei se alguém que silencia diante de injustiças pode ser considerado bom.

E, olhando ao meu redor, identifico a contínua libertação de Barrabás. Muitas vezes isso causa desânimo e uma profunda tristeza, embora, acompanhada de compaixão.

Compaixão pelos isentos, que não percebem a responsabilidade que estão assumindo, ao manterem dormentes suas consciências, a fim de silenciarem as possíveis cobranças. Pois, em algum momento elas surgirão de forma ensurdecedora.

Quantos compraram brigas que não eram suas, arriscando suas próprias vidas por causas alheias, que suscitavam indignação? Que mexiam com seus brios e alvoroçavam suas consciências?

Seria muito melhor se não houvessem embates, se pudéssemos viver em um mundo de equilíbrio, mas isso precisa ser conquistado.

O caminho do meio é a melhor opção, mas para se chegar a ele há uma mata selvagem a se desbravar.

Muitas vezes me vejo diante dessa mata fechada, empunhando apenas uma pequena faca. Bate o desânimo? Sim com certeza!

Mil perguntas: para que, qual o sentido, vai valer a pena?

Basta um olhar para o passado. De que lado quero estar?

Quantos Barrabás ainda serão salvos até que a humanidade entenda a mensagem?

Será que entenderão algum dia?

Diante do atual cenário, olhando ao redor, não fica difícil perceber quem são os que estão fechando os olhos, tapando os ouvidos e se calando diante da turba enlouquecida. Observe e identifique. E se essa imagem surgir refletida diante de algum espelho, questione: por qual lado da história voce gostaria de ser lembrado?

#pracegover #pratodosverem foto de três garotas de costas, sentadas em um banco diante de uma parede cinza com dois quadros, com imagens em preto e branco, de mulheres com expressões de desespero e sofrimento.


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