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  • Claudia Vilas Boas

Fofoca

Estava lendo sobre uma polêmica que surgiu há alguns anos sobre um casal muito famoso e que sofreu uma reviravolta. Descobriu-se ao final que quem foi considerado abusador no princípio, era na verdade a vítima. Mas os julgamentos foram tão apressados, baseados em premissas rasas, que o estrago já foi feito e não há muito o que se fazer a respeito agora. Houveram perdas, sofrimentos e danos emocionais que dificilmente serão recuperados. Uma coisa que temos que ter em mente é que pessoas podem ser boas ou más, e isso independe de gênero, raça, credo, posicionamento político, classe social, idade ou qualquer outro fator. Mulheres e homens podem ser maus, existem crianças más e idosos também. Índole e caráter são itens personalíssimos, e não são privilégio de uma ou outra pessoa, de determinado gênero, religião ou etnia. Somos todos, sem exceção, falhos e imperfeitos em alguma coisa. Contudo, na maioria das vezes nossos desacertos não causam danos gravíssimos. Isso ocorre quando esses desvios estão em um grau intolerável e acabam por prejudicar outras pessoas. Tendemos a acreditar de imediato nas pessoas que conhecemos, que amamos, que convivem conosco, como amigos e familiares, ou até mesmo pessoas que admiramos. E isso faz com que façamos julgamentos apressados sem conhecer os fatos em profundidade, sem ouvir os dois lados da história. E essa atitude pode acarretar desfechos catastróficos e até mesmo trágicos. A ponto de pessoas tirarem a própria vida, por não suportarem o peso desses julgamentos, principalmente quando injustos. E muitas vezes no afã de se fazer justiça, acabamos nos comportando como meros fofoqueiros. Para ilustrar bem isso gostaria de descrever aqui a cena do filme A dúvida, que conta com elenco excelente, entre eles a maravilhosa Meryl Streep e o incrível Philip Seymour Hoffman( in memoriam), que faz o papel de um padre, e durante um culto ele faz o seguinte sermão: “Uma mulher fazia fofoca com a amiga sobre um homem que mal conhecia. Ela teve um sonho aquela noite. Uma mão enorme aparecia e apontava para ela. Ela se sentiu culpada na mesma hora. No dia seguinte ela confessou. Contou tudo ao padre e perguntou se fofoca era pecado? Se aquela era a mão do Todo Poderoso apontando para ela. Se deveria pedir por sua absolvição. Se havia feito algo errado. Sim, respondeu o padre. Você levantou falso testemunho contra um irmão. Você brincou com a reputação dele e deve se envergonhar disso! Então a mulher disse que sentia muito e pediu perdão. O padre disse que não era tão simples. Pediu a ela que fosse para casa, levasse um travesseiro até o telhado, o cortasse com uma faca e depois o levasse para ele. Então a mulher assim o fez e voltou ao padre. Ele perguntou se ela havia cortado o travesseiro com a faca. Ela respondeu que sim. E qual foi o resultado? Perguntou o padre. Plumas ela respondeu, plumas por toda parte. Agora quero que volte e recolha todas as plumas que voaram com o vento, disse-lhe o padre. Bem, ela disse, não posso fazer isso. Não sei para onde foram. Foram levadas pelo vento. E assim é a fofoca, disse o padre. “ Tem uma frase que diz que a fofoca morre quando chega em uma pessoa inteligente. Se tiver que escolher um lado, que não seja você a pessoa que destrói o travesseiro, mas a que não deixa que as plumas se espalhem.

#pracegover ilustração em preto e branco de uma planta dente-de-leão, com um cesto preso abaixo dela, representando um balão, cujas sementes se espalham ao vento.


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