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  • Claudia Vilas Boas

Distopia

Se me pedissem para definir com uma palavra a época em que estamos vivendo, com toda certeza a palavra seria incoerência.

Uma época de belos discursos e atitudes abomináveis.

Intolerância com toda e qualquer divergência.

Fala-se tanto em diversidade, mas na prática o que se vê é apenas uma imposição do que uma determinada bolha entende como prerrogativa.

Entendo que defender a diversidade é unir e não dividir. Respeitar diferenças e não tentar impor uma única visão de mundo.

Aliás, o mundo está vivendo esse caos justamente porque não há respeito à diversidade, não há respeito às diferenças, pois alguns arrogam-se o direito de estarem certos, e com isso criam narrativas e falácias, que são repetidas sem se averiguar a fonte, a veracidade, o contexto.

Não nos vemos mais como humanos, mas como rótulos, praticamente como gangues adversárias.

Nasci em uma época em que era permitido discordar dentro de um grupo de amigos, sem que isso afetasse a harmonia, sem que isso provocasse “cancelamento” pelos demais. A amizade, o caráter, a lealdade eram valorizados. Não existia a tal figura de “lugar de fala”, porque todos tinham voz naquele círculo. Todos podiam opinar sobre qualquer assunto.

Hoje vemos pessoas que simplesmente viram as costas a quem os ajudou, quem sempre foi presente e amparou, simplesmente porque o outro pensa de forma diversa.

Filhos agridem seus pais, verbal, e até mesmo fisicamente, desrespeitando toda a experiência e história de vida construída por eles. Sentem-se os donos da razão, embora pouco conheçam da verdadeira história da humanidade.

Desprezam o passado realmente vivido, acreditando cegamente em narrativas das quais desconhecem a verdadeira origem. Fazem afirmações sobre o que ouviram falar e desprezam o genuíno conhecimento dos fatos.

Lamentavelmente estamos caminhando para uma realidade distópica. O livre pensar existe, desde que ele permaneça nos limites do pensamento, sem ser verbalizado. Pois, caso não seja adequado ao discurso imposto pelos que se apoderaram do direito de decidir sobre o que é aceitável ou não, arme-se de paciência para aturar os intolerantes de plantão. Aquela turminha que adora apontar nos outros os próprios defeitos.

Cansativo, muito cansativo.

#pracegover imagem de uma parede de tijolos na cor bege, com silhuetas pintadas. Sendo cinco silhuetas na cor marron, de mãos dadas caminhando para o lado esquerdo e uma silhueta na cor laranja caminhando para o lado direito.


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