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  • Claudia Vilas Boas

Cobranças

Vivemos em um mundo onde somos cobrados diuturnanente por tudo. Nos cobram atitudes, posicionamento, palavras, silêncios, julgamentos, opiniões. E depois somos cobrados e julgados pelas atitudes tomadas, posicionamentos assumidos e palavras ditas. Somos cobrados o tempo todo, mas poucas vezes respeitados em nossas atitudes e opiniões. Vivemos sob o crivo diário de um tribunal de opiniões alheias e empatia zero. Cobram-se decisões e soluções para dilemas extremamente difíceis. Fico imaginando se tivessem o poder de decisão, qual seriam as soluções. Digamos que estivéssemos todos em um mar revolto, em meio a uma terrível tempestade. Nesse mar encontram-se pessoas em um transatlântico, em iates, lanchas, veleiros, canoas, balsas, botes, alguns se apoiando em tábuas de salvação e outros tantos nadando sem sequer um colete salva-vidas, tentando não submergir. Todos suplicando por auxílio. Quem se deveria salvar? Não há como deter a tempestade. E também não há como atender a todos.

Quais as soluções possíveis? Talvez as embarcações maiores tenham melhor possibilidade de sobreviver, tenham mais chances contra a tempestade...Talvez. Será que as embarcações maiores não poderiam acolher as pessoas em situações mais vulneráveis? Ou será que elas se sentiriam ameaçadas em sua própria segurança com uma sobrecarga? Como solucionar? Impor uma solução de forma imperativa ou tentar resolver respeitando as decisões individuais? Difícil saber não é mesmo? Tal poder traria consigo uma grande responsabilidade. Um peso, uma carga difícil de carregar. Qual então seria a solução para esse dilema??? Talvez as embarcações menores tomem a iniciativa de socorrer os mais vulneráveis, por se encontrarem numa situação mais próxima da deles, lutando com dificuldade para sobreviverem. Talvez, repito, pois são apenas conjecturas, não vejam ali um risco, mas a possibilidade de salvação pela união. Mais braços, mais apoio mútuo. Revezamento na batalha. Quem sabe aqueles que estão no alto de suas grandes embarcações baixem suas cabeças e percebam ali algo a aprender, uma boa lição. Aprendam o significado e força da união, de quanto os atos individuais são importantes para fortalecer o grupo. Quem sabe...talvez. E quanto à pergunta inicial e tantas vezes repetida? Se tivéssemos o poder para decidir, qual a solução?

Eu particularmente, não me atrevo a opinar. Não tenho sabedoria, nem competência para tanto. Me abstenho também de julgamentos, pois com certeza não gostaria de estar nessa posição. Já é difícil decidir sobre os rumos da nossa própria vida, que dirá escolher o que fazer com destinos alheios. Deixo isso aos corajosos que suportam ser vidraça, pois pedra, qualquer um pode ser.

#pracegover ilustração de duas embarcações, uma maior e outra menor em um mar revolto, e diante delas uma linda e gigantesca mulher ruiva, ajoelhada sobre a água e estendendo a mão em direção a um dos barcos.



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