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  • Claudia Vilas Boas

Cegueira

Há uma fábula sobre uma discussão entre um burro e um tigre, em que o burro insiste em afirmar que a grama é azul, enquanto o tigre, obviamente, argumenta que ela é verde.

A discussão é levada ao Rei Leão para que ele proceda à arbitragem.

O Rei concorda com o burro e pune o tigre com 5 anos de silêncio. Apesar de aceitar a punição, o tigre questiona o Leão sobre tal atitude.

Ao que o Leão responde, que o tigre tinha razão, e a punição se deve ao fato de um animal tão poderoso e inteligente perder tempo com uma discussão que não levará a nada.

Como em toda fábula, há também nesta a moral da história, que é a seguinte:

“A pior perda de tempo é discutir com um tolo e fanático que não se importa com a verdade ou realidade, mas apenas com a vitória de suas crenças e ilusões. Jamais perca tempo em discussões que não fazem sentido... Há pessoas que por muitas evidências e provas que lhes apresentemos, não estão na capacidade de compreender, e outras estão cegas pelo ego, ódio e ressentimento, e a única coisa que desejam é ter razão mesmo que não a tenham.

Quando a ignorância grita, a inteligência cala. A sua paz e tranquilidade valem mais.”

Trazendo essa narrativa para o cenário atual, podemos perceber que muitas vezes assumimos o papel de tigre e Leão em nossas vidas.

Quantas vezes despendemos valioso tempo em discussões inúteis e absolutamente improdutivas? Agimos como o tigre, e ao fazermos isso trazemos para nós mesmos um desgaste desnecessário. Nesse momento nos tornamos também o Leão, pois essa é nossa própria punição. Nos irritamos, gastamos energia, tempo e argumentos com algo ou alguém que nada agregará. E, não raramente, acabamos nos aprisionando em uma espiral de silêncio.

A verdade está à disposição de todos, mas nem todos estão dispostos a vê-la.

E está tudo bem. Essa é a beleza do livre arbítrio.

Contudo, há um perigo nesse tipo de cegueira, pois não são os olhos que não enxergam a realidade, mas a alma. E a eles não basta que não queiram tirar a venda dos olhos, uma vez que insistem em colocá-la em todos ao redor.

Não devemos perder tempo e gastar argumentos com quem não quer ouvir ou não tem capacidade para assimilar. E também não podemos permitir que tais pessoas nos tirem do equilíbrio e perturbem nossa paz.

Há limites intransponíveis, e eles precisam ser estabelecidos de forma clara e incisiva.

Nossa liberdade deve ser preservada sempre. Uma condição importante para garantí-la é respeitar os limites alheios e exigir que os nossos também sejam respeitados.

O duplo padrão, que vemos acontecer com frequência nos tempos atuais, abre um precedente perigoso.

Respeitemos quem quer viver na escuridão, mas não permitamos, em hipótese alguma, que tentem ofuscar a nossa luz.

#pracegover #pratodosverem imagem em preto e branco de bonecos com olhos vendados atrás de uma janela de vidro.


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