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  • Claudia Vilas Boas

Caridade

Outro dia conversando sobre caridade, ouvi de uma pessoa que a caridade se mostrada, se exposta, é somente pelo ego da pessoa.

Isso me levou a algumas reflexões sobre o assunto.

Acredito que a caridade é transformadora.

Vejam bem, quando abrimos a timeline de nossas redes sociais, geralmente somos bombardeados com notícias e fatos desagradáveis, discussões políticas, crimes, tragédias. Tudo isso acaba por causar efeitos negativos no nosso humor e até na nossa energia.

Mas quando nos deparamos com alguma notícia positiva, isso causa um efeito que traz alento aos nossos corações, por vezes um sorriso, uma sensação de esperança, esperança de que a humanidade não esteja tão perdida como em muitos casos nos parece.

Em função desse tipo de julgamento, muitas pessoas se sentem constrangidas de mostrar que há inúmeras coisas boas acontecendo, inúmeras pessoas boas trabalhando. E dessa forma, o mal parece bem maior. Porque o mal não tem pudores, o mal é barulhento, ousado, e se coloca sempre em evidência. Enquanto o bem trabalha em silêncio, e com isso perde a oportunidade de incentivar mais pessoas a praticá-lo, e revelar que ele está em atitudes simples. E não há nada melhor do que o exemplo.

Qualquer forma de caridade é justa, bem vinda e louvável.

E não há quem saia imune ao praticar um ato de bondade. Mesmo que a princípio as intenções não sejam tão nobres, a energia da gratidão, a doçura de um sorriso sincero, as lágrimas de emoção, aquecem o mais frio dos corações. E é aí, que se percebe, que quem doa, na verdade é quem mais recebe. E o que se ganha tem um valor inestimável, imensurável.

E me pergunto se essas pessoas que tanto apontam dedos e fazem julgamentos sobre as pessoas que mostram o bem acontecendo, que as acusam de estarem fazendo pelo ego, não estão elas próprias feridas em seus egos? Tão amargas a ponto de ao invés de olharem o positivo daquela atitude, de perceberem que está se chamando a atenção para pessoas que precisam ser vistas, que precisam de voz, que precisam de auxílio, só enxergam a possibilidade de que as intenções não sejam nobres e verdadeiras. Será que podemos realmente afirmar que é somente pelo ego? Como podemos saber o que se passa dentro da cabeça e do coração das pessoas para fazer tal afirmação?

E se for pelo ego? Isso não invalida os resultados benéficos. De alguma forma se está melhorando o dia ou a vida ou o destino de alguém.

Quem critica não entende que não existe esse glamour todo, mesmo quando o ato é praticado por celebridades. O ambiente de um hospital é doloroso, e o de pessoas em situação de miséria é triste, e isso toca o coração de alguma forma...sempre. Como já disse, não há como passar por essa experiência imune a alguma transformação, algum aprendizado.

E enquanto uns julgam e condenam, outros se sentem felizes e estimulados a achar algo ou alguma forma de também contribuir para um mundo melhor. E para isso não há necessidade de ter patrimônio financeiro. A ajuda material é até mais fácil. Tempo, carinho, atenção, cuidado, são bens valiosos e, mesmo assim, nem sempre é fácil doá-los.

E a questão que fica é, qual a importância desses julgamentos? Porque “no frigir dos ovos”, enquanto nos perdemos nessas discussões inúteis, aquele que está sendo o centro da questão, o alvo dos dedos apontados, está fazendo muito mais que nós. E isso independe da sua intenção, mas depende muito da sua atitude.

#pracegover imagem de uma mão segurando um globo terrestre, em cujo topo há um laço vermelho com dois corações. Ao fundo centenas de pequenos corações vermelhos.


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