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  • Claudia Vilas Boas

Aparências

Se tem uma coisa que tem muito material para crônicas é treta de rede social.

Eu sou viciada em ler comentários em postagens, pois mostra muito da natureza humana.

Outro dia surgiu uma discussão em torno de uma de uma crítica feita por uma garota sobre um relacionamento com um homem muito mais velho que ela.

Havia todo tipo de comentário. Muitos até ofensivos. E muitas pessoas condenavam o fato de que muitos homens maduros só se interessam por garotas, e com isso acabam se envolvendo em relacionamentos baseados em interesse e até mesmo sendo enganados e traídos.

Um senhor, talvez se sentindo ofendido, fez um comentário extremamente grosseiro. Disse que preferia dividir uma porção de camarão, do que comer sozinho um prato de M.....( vou me abster de repetir a palavra, mas seria mais ou menos o que muitos pensam que o camarão tem na cabeça).

Essa situação me trouxe a seguinte reflexão. O julgamento é um comportamento tão arraigado no ser humano, que acaba sendo tão natural quanto respirar.

E nesse caso todos os julgamentos se basearam em aparências.

Nenhum tipo de generalização é justo e nem corresponde à verdade.

Porque eu entendo que a pior disparidade numa relação não é a idade cronológica, mas sim a diferença de maturidade emocional.

Conheço casais com grande diferença de idade mas uma perfeita sintonia emocional. Muitas vezes o mais jovem possui muita maturidade, enquanto o mais velho apesar de maduro preserva uma jovialidade. E a sincronia de valores e sentimentos acaba dando um equilíbrio perfeito.

Admiração é um sentimento muito importante numa relação, até porque traz junto consigo o respeito.

As pessoas que buscam relacionamentos baseados em aparências, talvez o façam por uma necessidade de autoafirmação e por possuirem a autoestima pouco elevada, a ponto de aceitarem migalhas apenas para “parecerem “ ser o que “gostariam” de ser.

Buscam fora o que deveriam desenvolver dentro de si.

Dá-se extrema importância a algo que é superficial e efêmero.

A beleza física se esvai por circunstâncias da vida: envelhecimento, doenças, acidentes, sofrimentos e tantas possíveis situações.

Mas a beleza emocional, essa tende a aumentar com o passar do tempo e dos obstáculos superados.

Muitos dizem que autoestima é tudo. Não é tudo, mas é uma parte importante no aprendizado do autoamor.

Assim como a admiração e respeito são a base para uma boa relação, são também a base para o amor próprio.

E tudo isso vai se construindo através do autoconhecimento, e da autoaceitação.

Pois, quando aprendemos a nos amar e respeitar, trazemos para nossa vida pessoas na mesma sintonia. E pouco importância terão os aspectos físicos ou cronológicos, elementos muito rasos. A essência, o alicerce, será a reciprocidade.

#pracegover em primeiro plano na imagem duas mãos entrelaçadas pelos indicadores, nos quais estão tatuadas pequenas âncoras. Em frente ao casal, um fotógrafo vestindo calça jeans, camisa branca, colete preto e boina cinza mirando a câmera na direção deles.



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