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  • Claudia Vilas Boas

Alecrim Dourado

Existe uma música infantil muito conhecida, cuja letra é o seguinte: “Alecrim, Alecrim Dourado, que nasceu no campo sem ser semeado. “

Atualmente esse verso acabou se tornando um meme.

Descreve um interessante fenômeno que se espalha feito erva daninha.

Uma geração cheia de paradoxos.

Como aquela turma que prega empatia, amor ao próximo, contudo, não tem o mínimo de respeito com os mais próximos a eles. Amar e respeitar de forma abstrata é fácil, mas na convivência diária é que se descobre realmente a qualidade desse amor. Destratam, agridem e ofendem seus familiares, ou aqueles com quem convivem de forma mais estreita. Ah, mas no círculo de “amigos” se comportam como se fossem as pessoas mais perfeitas, bondosas e compreensivas. Sempre prontas a ajudar, porém, somente no discurso.

É muito discurso pra pouca atitude.

As redes sociais estão cheias de alecrins espalhando o “amor” com discursos de ódio. Protestando contra a intolerância, sendo intolerantes. Defendendo que todos são iguais, criando grupos identitários. Querendo impor uma democracia de forma totalitária.

Se ofendem por tudo, ai daquele que manifestar uma opinião ou posicionamento diverso, será acusado de todas as piores formas de crimes não cometidos.

Aliás, o crime mais penalizado atualmente é um crime não previsto em lei, ou seja, ter opinião.

Ou segue a manada ou estará condenado por um tribunal de exceção. O tribunal do “cancelamento”, o apedrejamento dos tempos modernos. Mudam-se as técnicas, mas a essência do ser humano permanece.

Infelizmente, quem não conhece a história, acaba por repetir os erros, uma vez que nada aprendeu com eles.

Esses alecrins acham que toda a comodidade que os serve, brotou junto com eles. Não foi fruto de trabalho de gerações que os antecederam. Em razão disso, desprezam os mais velhos, como se fossem aparatos obsoletos.

Raciocínio lógico, questionamentos, estudo, pesquisa, pra que? Melhor seguir uns “influencers” cheios de retórica, os sofistas da atualidade, que pregam o que não vivem, e assim, vão distraindo os incautos marionetes.

Essa superficialidade não cria raízes, não produz sementes. Que futuro as aguarda?

Isso me lembra um jargão de um programa infantil, daquele tempo em que as crianças podiam apenas ser crianças, sem ter que lidar com questões para as quais não estão psicologicamente maduras. Um tempo em que se preservava sua ingenuidade, ao invés de se aproveitar disso.

“E agora quem poderá nos salvar?” Quem será o Chapolin Colorado? Quem serão os bons a segui-lo?

Quem serão os alecrins do campo? O Alecrim raiz, aquele cujo significado está associado à coragem e fidelidade, bom ânimo, confiança e espiritualidade.

Esses precisam de semeadura, assim como valores e princípios.

Quando olho para tudo isso, para toda a manipulação existente e para onde isso tudo está levando boa parte da humanidade, me pergunto se ainda há tempo de germinarem as boas sementes.

O solo é fértil, os hábeis jardineiros não são numerosos, mas são dedicados e corajosos.

Por isso, em meu coração ainda cultivo a essência do verdadeiro alecrim, seguindo com ânimo e confiança de que essa batalha ainda não está perdida. Que a verdadeira semeadura, feita em silêncio, em breve brotará, trazendo a esse lindo planeta o perfume e as cores que ele merece.

#pracegover #pratodosverem ilustração de um bebê de fralda azul, segurando uma mamadeira branca e azul, sentado na palma de uma mão, da qual brota uma planta.


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