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A Isca

  • Foto do escritor: Claudia Vilas Boas
    Claudia Vilas Boas
  • há 12 minutos
  • 3 min de leitura

Recentemente viralizou o discurso do comediante americano Ronny Chieng em uma cerimônia na Universidade de Harvard.

Transcreverei a seguir os pontos de sua fala que considerei mais impactantes. A temática da fala era sobre a Inteligência Artificial. Para surpresa da audiência ele diz: “Dane-se a IA. É idiota! É tão idiota. Você já tentou usar isso? Está sempre errado. Estou aqui para dizer que a missão da geração de vocês é destruir a IA. Você já viu como pessoas burras se gabam de como usam a IA? Elas sempre falam algo do tipo: Ei você sabia que agora eu consigo ler meu e-mail, resumir e mandar uma resposta? Sim, sabe quem mais consegue fazer isso? Eu. Eu consigo fazer isso. O quão inútil você é? Criar é a parte divertida. A jornada é apenas o modo como adquirimos habilidades, a jornada é o propósito de tudo isso. Conheço alguém aqui que está dizendo: E quanto ao uso da IA para inovações pioneiras na medicina e na física? Se você a usa para esse propósito, você não é o problema. Estou falando do aumento de dívida cognitiva devido ao uso excessivo de grandes modelos de linguagem. É por isso que vocês deveriam ter medo da IA. A próxima batalha dessa geração não será entre humanos e IA, mas entre pessoas com conteúdo e pessoas com conhecimento superficial. “

Em dado momento ele cita um estudo do MIT, de 2025, intitulado “Seu cérebro no ChatGPT”, que descobriu que a dependência excessiva de modelos de aprendizado de linguagem pode levar a um débito cognitivo.

E concluiu dizendo aos alunos que se certificassem de que seu mundo off-line fosse melhor do que seu mundo online. E para seguirem a sua paixão, pois quando se faz o que ama, cada dia pode ser uma alegria, e essa alegria pode se espalhar para os outros.

Em um primeiro momento muitos podem querer discordar dessa fala, mas se refletirmos com profundidade, ela traz uma mensagem extremamente importante.

A geração atual está terceirizando o pensamento, e isto é nocivo.

Recursos não utilizados atrofiam, perdem a utilidade.

Nosso cérebro é uma máquina incrível. Tão incrível que nem mesmo o maior gênio da humanidade utilizaria 100% de sua capacidade. A ciência, tão avançada, ainda não consegue desvendar todos os mistérios dessa poderosa engenharia humana e divina.

E o que se tem feito? Transferido para uma máquina artificial todo o processo que nos possibilita desenvolver cada vez mais nossas habilidades cognitivas. Estamos pulando etapas de uma forma desastrosa.

Cada etapa que é pulada, deixa uma parte do conhecimento pelo caminho. Algo se perde ali, que talvez nunca mais seja recuperado.

Vemos hoje uma geração incapaz de produzir linhas de raciocínio lógico. Muitos tornaram-se meros robôs repetidores de pensamentos alheios, não analisam os fatos, compram qualquer narrativa que pareça fofa e confortável.

Aceitam tudo o que corrobora a artificialidade que vem sendo construída.

Não aceitam desafios, não buscam soluções, apenas absorvem.

Estamos assistindo à desconstrução do ser humano pensante, inteligente, criativo e capaz.

Há pessoas que tornaram a ferramenta seus confidentes. Essa atitude já gerou danos irreparáveis.

Não digo que não haja benefícios, sim há! Como ele mesmo cita no discurso, mas só vai se beneficiar dessa ferramenta quem souber usá-la de forma produtiva. O homem deve dominar a máquina e não o contrário.

Somos seres tão capazes de criar coisas maravilhosas, de produzir progresso e trazer evolução. E quem promove esse experimento social sabe dessa imensa capacidade. Por isso, lançam inúmeras armadilhas.

Isso não passa de mais uma isca, quem estiver atento e no controle de sua própria vida saberá desviar do perigo e tornar a experiência favorável a si.

O momento pede atenção, observação e compreensão da realidade que nos rodeia.

Exercitar a mente, desenvolver seu potencial, é ser grato pelo dom da inteligência, da capacidade de raciocínio, sendo também, a melhor forma de ativar a necessária expansão da consciência.

O conselho final do discurso é importantíssimo, valorize a vida real, faça seu tempo valer a pena. As telas são as iscas brilhantes e atrativas, mas nós não somos peixes, não é mesmo?

#pracegover #paratodosverem ilustração da silhueta de uma cabeça com múltiplas imagens coloridas, livros, pessoas interagindo, lendo, escrevendo, simbolizando uma mente criativa e fértil. Arte digital.


 
 
 

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