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  • Claudia Vilas Boas

A geração mais infeliz

Acordei com sentimento de nostalgia.

Saudade daquela juventude que sorria, que brincava e que era livre para viver suas próprias verdades.

Onde a diversidade de ideias e opiniões realmente existia e era respeitada.

As amizades estavam acima de toda e qualquer divergência de pensamento.

Hoje tudo é superficial. “Amigos” acusam outros com adjetivos que eles sabem que não correspondem à verdade, por pura birra e intolerância. Uma intransigência travestida de razão e falsas virtudes, que atropela e destrói qualquer vínculo e história construída.

Estamos diante de uma geração que quer muito colher, embora não busque plantar. Quer os louros do pódio, sem os sacrifícios do treinamento.

Como vi em um vídeo sobre a geração “millennial”, querem uma vida de propósito, mas não se atrevem a construí-la. Esperam realizar o que desejam em poucos minutos. Sinto informar, a vida não é “miojo”. Aliás, a maioria dos prazeres instantâneos causa estragos prolongados.

E esse tipo de mentalidade facilitou muito o trabalho dos manipuladores.

Ficou fácil impor narrativas falaciosas e utópicas, até mesmo distópicas, disfarçadas de interesses coletivos.

Ofereceram todo tipo de direito, de privilégios e nenhuma responsabilidade ou dever.

Através de discursos dúbios foram minando valores morais e até mesmo vínculos familiares.

Porém, não há como não falar da responsabilidade dos pais dessa geração tão frágil. Nós pais e tutores, na intenção de poupá-los das dificuldades que enfrentamos, acabamos por não perceber que, na verdade, estávamos contribuindo para deixá-los vulneráveis.

Aproveitando-se desse vacilo, uma corja ardilosa se infiltrou nos meios estudantis, doutrinando as pobres cabeças ainda imaturas e, portanto, suscetíveis a essas influências nefastas.

O resultado disso é esse conflito existencial que assola a juventude atual.

Líderes de ideologias sombrias pregam que as pautas da família e valores são pautas atrasadas, incitando a destruição da base de todo ser humano.

Me pergunto se uma criatura dessa porventura nasceu de outra forma, que não no seio de uma família. Terá, por acaso, brotado no esterco?

Estamos diante da geração do paradoxo. A geração que tem tudo e nada. A mais livre e mais aprisionada.

A geração das terapias que muitas vezes mais agravam o quadro, uma vez que, infelizmente, muitos psicólogos estejam contribuindo para essa debilidade, terceirizando culpas e incitando enfrentamentos desnecessários nos núcleos familiares. Afinal, muitos deles são egressos de universidades já contaminadas pela doutrinação abjeta.

Aquela juventude, leve, cheia de tantos sonhos, de riso solto e inconsequências pueris, deu lugar a um semblante melancólico e uma postura de quem carrega o peso do mundo nas costas.

Jovens no corpo, velhos na alma.

Embora, tardiamente, muitos das gerações precedentes, entenderam a armadilha tão bem engendrada e lutam para reverter o estrago.

Nesse momento, também eu faço parte desse exército, luto e torço pelo despertar dessa juventude.

Para que percebam a venda sobre seus olhos, e as arranquem, passando a questionar o que terceiros lhes impuseram como verdade absoluta. E assim, libertem-se dessa prisão mental.

A chave da cela está na fechadura, a escolha é individual, permanecer no conforto das mentiras fofas, ou girar a chave e enfrentar o mundo com coragem em busca das suas próprias certezas e de sua real identidade.

#pracegover #pratodosverem Ilustração de um garoto vestindo casaco de capuz azul, calça e tênis lilás, sentado no chão, com os braços apoiados nos joelhos, diante de um notebook, de cuja tela sai uma mão apontando para ele e vários balôes de diálogo com emojis negativos.


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